O Sistema  ›  Parte I · Fundamentos

§3 · Parte I

O que a Axiacracia é, e o que não é

A Axiacracia não é nem o capitalismo de sempre nem o planejamento central. Conserva o mercado para aquilo que ele faz bem, liquidar a alocação, transportar o sinal do lucro, e mantém a propriedade privada no que é merecido. Coletiviza apenas a renda não merecida e recusa-se a dirigir o capital ou o trabalho, pelas razões do problema do conhecimento sobre as quais tanto Smith quanto Hayek insistem. É uma terceira posição: possuir o merecido, partilhar o não merecido, orientar a moldura, libertar o interior.

O que ela não é: não é um planejador que dita resultados; não é uma ama que prescreve um modo de vida; não é uma tecnocracia que se arroga computar o Bem; não é um Estado de vigilância (seu sensor é agregado e estatístico, jamais um registro de vidas privadas). Ela corrige condições, pisos, tetos, o preço do dano, e deixa aberto o espaço de soluções, com uma zona não orientada deliberadamente preservada para a descoberta e a dissidência.

O que significa

A maneira mais clara de compreender a Axiacracia é por aquilo que ela conserva e aquilo que ela corta, lado a lado. O capitalismo conserva os mercados e a propriedade privada mas deixa as externalidades e a concentração sem preço. O socialismo coletiviza os meios de produção e dirige a economia. A Axiacracia conserva o mercado e conserva a propriedade privada no que é merecido, coletiviza apenas a renda não merecida, e recusa-se por completo a dirigir capital ou trabalho. Concretamente: o salário de um engenheiro e a participação acionária merecida de um fundador permanecem intocados; a renda fundiária de um proprietário de terras, um monopólio de espectro, ou a renda de escassez sobre a computação bruta é capturada para o comum. O mesmo mercado, um encanamento diferente.

Por que a Axiacracia precisa disso

Uma ordem genuinamente nova é lida por padrão através de categorias antigas, portanto ela precisa declarar seus próprios limites ou será arquivada de modo equivocado como "socialismo brando" ou "tecnocracia" e descartada. Este § existe para antecipar exatamente essas duas leituras erradas e para fixar a postura de governo, corrige mas não dirige, antes que a economia comece. É a doutrina traçando suas próprias bordas.

Em comparação com outras abordagens

Contra o capitalismo ela precifica o que o mercado ignora; contra o socialismo ela recusa possuir ou conduzir os meios; contra a tecnocracia ela nega que alguém possa computar o Bem. A recusa em dirigir o capital repousa sobre o problema do conhecimento de Smith e Hayek (Smith, Hayek); o corte preciso entre o merecido e o não merecido, ali onde o tudo-ou-nada de Marx se embaça, é traçado contra Marx (Marx); a resposta ao "mas o valor não pode ser coletivamente conhecido" é a de Mises, respondida (Mises). A postura em si é desdobrada em §6.