O Sistema  ›  Parte III · O princípio de governo

§8 · Parte III

Quem fixa os pesos, e como a captura é resistida

Os pesos são fixados por um voto, a linha fundadora de toda a doutrina. O valor individual é subjetivo; mas um voto democrático constitui o valor como objetivo para a governança, um ato declarado e vinculante de autogoverno coletivo, nem uma ciência do Bem nem o decreto de um ditador. O voto escolhe pesos de regra geral, delimitados ao que foi verificado e mantidos sob a Carta; ele é preferido a qualquer otimizador único não porque as multidões sejam sábias, mas porque um eleitorado equivocado é corrigível pelo argumento, ao passo que um governante equivocado só é corrigível pela ruptura.

A captura é a ameaça permanente, e é resistida estruturalmente. O corretor é impessoal, cada correção é imputada à regra publicada, nunca a um rosto, e não constrói partidários; seus funcionários exercem um poder divorciado do enriquecimento privado (um registro não transferível). Um monitor anticlasse dominante vigia para que os donos do cômputo e do capital não se tornem o novo estamento cujo comitê é o Estado; as próprias normas de valor são auditadas quanto a codificarem o interesse de uma coorte como o bem comum; e a beneficência é vigiada como vetor de captura, pois a tirania se oculta sob a aparência de atos generosos.

O que significa

Este § responde à pergunta mais profunda que um Estado que governa pelo valor enfrenta, quem decide o que importa?, e sua resposta é a linha fundadora. Vale um rio limpo mais do que a produção de uma fábrica? Nenhuma fórmula o resolve. Assim, a comunidade política vota o peso entre os eixos ecológico e econômico, enquanto os efeitos sobre cada um, estoques de peixes recuperados, empregos perdidos, são contados objetivamente. A cardinalidade reside no efeito medido; a agregação reside no voto. Duas salvaguardas tornam isso real. O corretor é impessoal: um encargo de renda é imputado à regra publicada, não a um funcionário que pudesse ser pressionado por lobby ou temido. E um monitor anticaptura vigia se os donos da computação e do capital estão silenciosamente redigindo eles mesmos as normas de valor, a forma moderna de "o Estado é um comitê da classe dominante".

Por que a Axiacracia precisa disso

Porque "governar pelo valor" desmorona instantaneamente em tecnocracia ("especialistas calcularão o que importa") ou em governo da turba ("votar sobre tudo, inclusive sobre os fatos") a menos que alguém trace a linha com precisão. Este § existe para tornar o valor objetivo-para-a-governança, uma escolha coletiva vinculante e legítima, sem um rei-filósofo que alegue conhecer o Bem e sem uma maioria que vote sobre o que é verdadeiro.

Em comparação com outras abordagens

Contra o rei-filósofo de Platão, que faria os sábios conhecerem o Bem e governarem por ele, recusado: legitimidade não é conhecimento (Plato). Contra Mises, que diz não haver valor coletivo acionável, respondido: um voto declarado sobre efeitos contados objetivamente é ambas as coisas (Mises). Contra o majoritarismo cru e seu primo, a futarquia ("votar valores, apostar em crenças"), cujo instinto, separar o valorar do medir, a Axiacracia compartilha mas subordina a uma Carta. A ressalva é de Confúcio: é o povo contido pela lei que merece confiança (Confucius). O que limita o voto é a Carta, §16.