O Sistema  ›  Parte III · O princípio de governo

§6 · Parte III

Corrigir, não dirigir, o "quarto dever" renunciado

O princípio de governo é uma renúncia. Smith deu ao Estado três deveres e advertiu contra um quarto, dirigir o capital do povo, como uma autoridade que não é segura em mão alguma. A Axiacracia toma a advertência ao pé da letra: ela corrige, mas não dirige. Fixa o preço que um fator enfrenta e liberta a quantidade que ele escolhe, preços dentro, quantidades fora, de modo que uma correção remodela os incentivos sem jamais substituí-los. É o jardineiro, não o pintor.

Sua alavanca soberana é a de Polanyi: governar a taxa, não a direção, da mudança. A direção, a capacidade da IA, o avanço tecnológico, é em larga medida exógena e não cabe ao Estado vetá-la; a taxa em que se faz uma sociedade absorvê-la é o que a governança pode reter. Assim, a Axiacracia ajusta o ritmo da transição à capacidade de absorção da sociedade, registrando o dano de curto prazo como real até que a compensação se demonstre, ao mesmo tempo que deixa o interior do mercado e a zona não orientada livres para funcionar.

O que significa

Toda a postura de governo cabe em quatro palavras, preços dentro, quantidades fora, e um encargo sobre o carbono a demonstra. O Estado fixa o preço que uma empresa enfrenta ao emitir; a empresa ainda decide quanto produzir, o que fabricar e como. Contraste com uma cota de produção, que dita a quantidade: isso é dirigir, e requer um conhecimento que nenhum órgão central possui. Um encargo de congestionamento precifica o uso das vias enquanto os motoristas ainda escolhem seus trajetos; uma captura de renda esvazia o valor não merecido de um ativo enquanto seu dono ainda conduz o negócio. A segunda metade da postura é de Polanyi: governar o ritmo, não a direção, da mudança, a Coroa Tudor não pôde deter os cercamentos, mas os desacelerou a um passo que a sociedade pudesse suportar.

Por que a Axiacracia precisa disso

Porque os dois caminhos óbvios fracassam. Dirigir o capital esbarra diretamente no problema do conhecimento, uma autoridade "segura em nenhuma mão". Nada fazer permite que externalidades não precificadas e concentração sem freios destruam a sociedade em que o mercado vive. Este § existe para talhar o estreito terceiro caminho: moldar as condições de contorno e então deixar o interior livre, a única forma de correção que nem presume onisciência nem abandona o campo.

Em comparação com outras abordagens

Contra o planejamento central, que dirige quantidades e não pode saber o bastante para fazê-lo bem (Hayek, Mises); contra o laissez-faire, que não estabelece moldura alguma. Na economia das externalidades ela fica ao lado de Pigou (tributar o dano) e não do Coase puro (negociá-lo até desaparecer), porque as partes lesadas costumam ser difusas e incapazes de negociar. A alavanca do ritmo-sobre-direção é de Polanyi (Polanyi). Como a postura opera como um laço vivo está em §7; onde ela precifica o dano está em §11.